ARTIGO: Muita Informação*

O WhatsApp é o mais popular aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphones. De início, esse aplicativo permitia compartilhar simultaneamente um mesmo conteúdo para mais de 200 pessoas. Objetivando evitar a proliferação das notícias falsas (fake news), em 2018, o aplicativo, que pertence ao Facebook, restringiu o compartilhamento para 20 contatos e, em 2019, para apenas cinco. Atualmente, os usuários do mensageiro somente conseguem enviar o conteúdo para um único contato por vez, quando a mensagem for encaminhada cinco vezes ou mais.

Essa mudança de postura do WhatsApp, indo de encontro a sua própria essência, revela que a verdade realmente é o único caminho. Apesar de vivermos na era do conhecimento, não podemos olvidar que toda informação precisa ser de qualidade, e sua fonte necessita ter credibilidade. Isso é imprescindível.

Mas, em um cenário de tanta informação, o que vem a ser mesmo informação?
Segundo os bons dicionários, informação é a “reunião dos conhecimentos, dos dados sobre um assunto ou pessoa.” Entretanto, com o conhecimento adquirido pela idade, e depois de muita informação, consegui aprimorar e ressignificar tal conceito, passando a compreendê-lo como “o conhecimento útil para aprimorar a qualidade de vida”. De fato, a informação somente terá validade se tiver passado pela famosa peneira de Sócrates e for capaz de nos tornar pessoas melhores.

Em resumo, com base nos ensinamentos dessa parábola, muito divulgada na rede mundial, uma informação somente deve ser passada adiante se ela for verdadeira, boa e útil. Do contrário, qual o sentido de reverberar uma informação sem a observância desses critérios, simplesmente pelo impulso de viralizá-la? Tão somente para atender à necessidade de se mostrar conectado? Se não temos a certeza sobre a fidedignidade da informação, não seria melhor guardá-la apenas para nós mesmos?

Partindo de tal pressuposto, comecei a filtrar as inúmeras informações com as quais somos bombardeados diariamente, e, mais importante ainda, passei a concentrar-me nas fontes de tais informações.

Quantas vezes recebi mensagens via aplicativo de comunicação, por meio de “blogs” (sítio eletrônico cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos de artigos, postagens ou publicações) e até mesmo por “portais de notícias”, que não condiziam com a realidade e só serviam para fomentar medos e ansiedades?

É fato que a atualidade e a rede mundial nos permitem ter acesso a um mundo globalizado que abriu as portas da conectividade, possibilitando a troca de ideias e experiências. Todavia, em um dado momento, muitos de nós somos tomados pelo que chamo de “ansiedade de informação”, a qual defino como sendo o momento em que achamos que precisamos saber de tudo e acompanhar todos os acontecimentos externos.

Se você tem um smartphone, você tem um mundo em suas mãos e acha que tudo pode revelar. Porém, muitas vezes, aquilo que poderia parecer um “furo” jornalístico, não passa de uma “furada”.
Graças ao paradoxo da rede mundial, que aproxima e ao mesmo tempo separa, confesso que, por muitas vezes, o excesso de informação me confunde.

Para que essa dita “ansiedade” não nos consuma é que se faz necessário o hábito de filtrar o conteúdo, passando a distinguir o que é coerente, ou seja, se está de acordo com fontes confiáveis, do que é duvidoso, apresentando-se sem qualquer embasamento técnico, entre outros critérios de ponderação.

Razão, pois, assiste ao dr. Walter Pinheiro, Presidente da ABI – Associação Bahiana de Imprensa, quando no artigo “Aplausos aos jornalistas!”, dado a público pelo jornal Tribuna da Bahia, em 7/04/2020, assim se manifesta: “Fato a ser considerado, em momentos como este, quando indispensável é o trabalho da imprensa, é o crescimento de outra deformação também muito prejudicial ao cidadão: as fake news. Daí, a valorização crescente das imagens e textos divulgados por uma mídia responsável, com o que leitores, telespectadores e internautas se vacinam contra a atuação delituosa de criminosos”. 

Sem dúvida alguma, quanto mais aprimorarmos essa habilidade seletiva, mais positivo será o acúmulo de conhecimento e, consequentemente, não incorreremos em um dos principais erros da sociedade atual, que é a falta de filtro de conteúdo frente à febre da instantaneidade.
Precisamos, sim, de muita informação, mas lastreada de conhecimento de qualidade e verdadeiro, como, aliás, encontramos neste portal, que, coincidentemente, leva o nome do que precisamos: Muita Informação.

*Inaldo da Paixão Santos Araújo – mestre em Contabilidade. Conselheiro-corregedor do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, professor, escritor.
inaldo_paixao@hotmail.com